DIREITOS, DE QUEM?
Nos últimos anos a quantidade de incidentes envolvendo a área da educação tem sido alarmante.
Nos noticiários da TV ou nas páginas dos jornais e revistas é comum vermos em suas manchetes atos de vandalismo, homicídios, drogas e outras atrocidades envolvendo alunos, professores, ambiente escolar, etc.
Seria hipocrisia minha culpar apenas um alguém por tudo isso, pois na verdade, os fatores que têm levado a todo este caos tem várias origens e muita negligência.
Em vista de tudo o que tem ocorrido nas comunidades escolares e conseqüentemente no país, questiono uma coisa: de uma forma geral, do que tem ajudado o Conselho Tutelar, os Direitos Humanos e as Leis de Maioridade?
Jovens debochados, se tornando criminosos, marginalizados, discriminados, etc., usam de forma totalmente incoerente o que deveria lhes trazer benefícios, mas só os prejudicam.
Por que os órgãos do governo, conselhos, etc. não se preocupam em realmente melhorar a vida desses jovens? Seria por que dá muito trabalho recuperá-los? Seria por que, além de dar trabalho, dá despesas?
Grande parte de menores infratores é beneficiada (ou melhor, prejudicada) pela lei e por alguns destes órgãos. Se o menor em questão é preso, logo estará sendo “acobertado” e a sua libertação exigida. Mas tudo se limita praticamente a isso, pois o mesmo não terá acompanhamento para que se recupere de verdade. Sendo assim, podemos dizer que o menor está sendo realmente acobertado, mas não acolhido.
O Brasil não precisa que a lei de maioridade mude. Não precisamos de mais meios de punição para estes jovens. Se cadeia fosse corretivo a maioria dos detentos sairia de lá recuperado, mas não é o que acontece.O que precisamos é de educação de qualidade, que estes jovens sejam na realidade assistidos para alcançar a recuperação que necessitam e que se resgate a família, instituição essencial na formação moral e afetiva de qualquer ser humano, mas que foi degradada e se perdeu ao longo dos últimos tempos.
O conselho tutelar exige que a escola receba o menor, mas não dá o suporte necessário para que este jovem se recupere. A escola sozinha não é capaz de reabilitá-lo. A escola precisa da parceria do próprio conselho, de psicólogos e da família, mas não é o que geralmente acontece. Geralmente, o juvenil é “largado” na escola e só isso.
O que significam termos como: bem estar do menor, direitos da criança e do adolescente, estatuto da criança e do adolescente, etc.? Por que os deveres por parte do governo com esses jovens não precisam ser cumpridos como garante a lei? Como esperar que a escola sozinha consiga progredir com esses menores infratores ou marginalizados sem o suporte e acompanhamento dos órgãos competentes?
Toda criança tem direito à educação, portanto, “jogar” um menor na escola sem auxílio só vai tirar os direitos dos outros alunos ao estudo, pois o comportamento e as atitudes deste menor com certeza irão interferir negativamente em toda a turma. Não podemos confundir o direito de um com o menosprezo ao outro.
O verdadeiro enredo deste tema tem sido pífio, com o governo fingindo que faz, os órgãos e conselhos públicos empurrando o problema para a escola, que por sua vez não sabe, não pode e muitas vezes não quer solucionar o caso. O resultado final acaba sendo o indivíduo passando de menor infrator para maior criminoso (isso quando não morre antes de completar dezoito anos).
No final das contas, a sociedade é quem paga muito caro por este descaso, pois sofre com a educação desqualificada, mão-de-obra incompetente, violência e falta de cidadania, entre outros.
Diante de todo o escárnio que temos vivido no que diz respeito à sociedade, não há de ser torpe da minha parte dizer que os seres humanos estão involuíndo e originando uma nova espécie, a do Homo ridiculus (homem ridículo), com o comportamento mais irracional de todos os animais, de instinto destruidor no sentido social e ecológico, ambicioso e sem limites, capaz de se tornar um “canibal” quando quer ser mais do que os seus semelhantes.
Não concorda? Então leia diariamente os jornais e revistas, acompanhe os noticiários da TV e, acima de tudo, acompanhe a política. Se fizer isso ficará horrorizado (a) com o que vai ver.
Diferente desta nova espécie degradante, ser Homo sapiens sapiens é ser: humano, cordial, educado, consciente, responsável, respeitador, civilizado, amável. É formar uma família e saber o real significado dela. É olhar para o seu semelhante e querer o seu bem-estar.
É uma pena que a nossa espécie esteja em extinção.
E por favor, educação é direito de TODOS!