ABRAM-SE AS CORTINAS II
Depois do sensacionalismo barato da mídia extravagante e do comportamento exótico de boa parte da população no caso Isabella Nardoni, mais uma vez esta mídia espalhafatosa dá o ar das graças na sua incessante carnificina no caso Eloá Cristina.
Diga-se de passagem, há uma emissora de TV que se tornou profissional na arte de explorar a dor da sociedade diante de “catástrofes” sociais, extrapolando os limites do jornalismo para exibir um verdadeiro show de horrores.
O pior de tudo isso, além da dor dos envolvidos no caso, é que mais uma vez boa parte da população volta a ostentar comportamento exótico, comprando sem pudores o que esta mídia está pronta para vender: a crítica destrutiva.
Este tipo de mídia e esta parcela da população não estão preocupados com o bem-estar dos jovens e das famílias, mas sim com o espetáculo e a repercussão do caso. Não se envolvem emocionalmente, mas vêem o caso como uma grande oportunidade de exploração comercial, se expor nos meios de comunicação ou mero bate-papo nas rodas de amigos.
É triste vermos estes tipos de comportamentos e é preocupante o quanto tem se tornado habitual a ocorrência de crimes sórdidos (apesar de que todo crime é sórdido). A vida humana vem se tornando insignificante nas mãos dos inábeis humanos.
Engana-se quem acha que todos estes reveses só acontecem com os outros e estão imunes a eles. Esses infortúnios podem estar mais próximos do que imaginamos, pois lidamos com diversas pessoas no nosso dia-a-dia e não estamos livres da ação de alguém insano.
Ao invés de ficarem criticando a postura da polícia, da jovem amiga, ou de quem quer que seja, por que não nos voltamos a sensibilizar os seres humanos em relação ao amor, a ética, o respeito e o comportamento? Se a polícia agiu errada, como seria agir corretamente?
É irritante ver que o que importa é culpar alguém, e não procurar a cura para a doença comportamental de extermínio que vem se instalando entre nós. Se a polícia tivesse invadido o apartamento antes seria criticada, se tivesse atirado no criminoso seria criticada, enfim, o que quer que fizesse e pelo o que fez é criticada, pois dá Ibope.
Sou professor e ao longo da minha carreira aprendi a ver de forma desprezível a ação de conselhos tutelares e comissões de direitos humanos. Neste caso em específico, onde estavam eles que não confortaram as famílias dos jovens durante o seqüestro? Onde estavam eles quando os dois amigos e a jovem amiga da Eloá foram libertados? Que apoio darão aos envolvidos daqui para frente?
Já vi muitas escolas terem que engolir marginais, menores infratores, etc. sem o menor apoio de conselhos tutelares ou comissões de direitos humanos para recuperar estes indivíduos, apenas “jogando-os” em instituições de ensino como se fossem recuperá-los só pelo simples fatos de estarem lá.
Concluindo, ao invés de se tornar um telespectador medíocre desses infames meios de comunicação que prezam pela vulgaridade ou ficar procurando culpados para um crime cuja culpa é na verdade do praticante, reveja seus conceitos, suas atitudes e se preocupe em fazer sua parte por um mundo melhor, pois amanhã a pior das vítimas pode ser qualquer um de nós.
Escrito por Prof Iranildo às 20h03


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